outubro 22, 2004

A PROVOCAÇÃO

Não é crível que um Governo seja tão desajeitado que consiga cometer tantos erros ao mesmo tempo. Ou, por outras palavras, abrir tantas frentes políticas ao mesmo tempo. Ou, ainda de outro modo, meter-se em tantos sarilhos ao mesmo tempo.

Tenho tentado encontrar uma explicação lógica para a situação política criada por este Governo. Penso que só há duas. Pura incompetência ou mera provocação. Se é incompetência, estamos feitos. Há que ajudar o Governo a terminar com dignidade o seu mandato.

Se é provocação, é-o a Jorge Sampaio, para que em desespero político de causa, vergado à responsabilidade que tem no facto deste Governo existir sem a legitimidade dos votos, dissolva o Parlamento alegando uma espécie de estado de sítio político e social.

O orçamento “do avô e do bebé” que aí vem é justamente aquilo que o Presidente da República proclamou solenemente que não admitiria: uma inversão de uma política fundamental, a política financeira. A promessa essencial do choque fiscal foi remetida para a próxima legislatura, a despesa e o défice tem aumentado, e, o pior é que o país tem tido uma política financeira diferente todos os dias.

Quanto à comunicação social estamos conversados. Sempre se fez o que este Governo faz. A diferença é que este faz às claras e assume que faz. As vozes incómodas são afastadas, o controle dos debates é total, as administrações e as direcções são recompostas a gosto do poder. Já não como antigamente, do poder partidário, mas sim do poder da facção partidária dominante. Hoje, já não basta ter cartão do partido para ter futuro no Estado. É preciso gostar de quem manda no Partido.
Ora, Pedro Santana Lopes já percebeu que não pode estar muito tempo de pés e mãos atadas. O ideal para o seu futuro político era ser aliviado do fardo governamental que tantas maçadas dá e libertar-se para o voo presidencial.

Esta é uma explicação. Há que provocar Belém tanto e tantas vezes quantas as necessárias para provocar eleições. E, com a experiência recente das eleições regionais em que, aliás, Louçã e Portas se esqueceram de dar a cara na noite das eleições, o mais certo é acabar o Governo, a maioria e a coligação.

Publicado por Jorge Ferreira em outubro 22, 2004 04:24 PM
Comentários

Este governo vai aguentar até ao fim. É para aprender a não governar sem ser eleito. O problema é que os portugueses vão pagar a factura.

Afixado por: PGH em outubro 25, 2004 11:18 AM
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