Marcelo Rebelo de Sousa afirmou hoje que o presidente da TVI, Miguel Paes do Amaral, lhe impôs um prazo para que repensasse o teor das suas intervenções nas edições de domingo do Jornal da Noite.
Na audiência com a Alta Autoridade para a Comunicação Social, Marcelo Rebelo de Sousa começou por explicar que não esperava que Miguel Paes do Amaral revelasse a conversa entre ambos, que precipitou a sua saída da TVI, e que foi pedida pelo presidente da Media Capital com "carácter de urgência".
Nos últimos dias, o presidente da TVI tinha revelado que a conversa com Marcelo Rebelo de Sousa tinha versado apenas sobre questões jurídicas relacionadas com as opções estratégicas da estação televisiva.
Hoje, depois de ter revelado a sua "perplexidade" pelo facto de Paes do Amaral ter tornado pública "uma parte da conversa", Rebelo de Sousa declarou que não tinha outra alternativa que não revelar a totalidade do teor da conversa.
Em seis pontos, Marcelo Rebelo de Sousa contou o que considerou ser a parte mais relevante da conversa, e que configurou uma "tentativa de remover uma barreira".
Em primeiro lugar, o ex-comentador frisou que "nunca em quatro anos o presidente da TVI teve uma conversa como esta", que foi considerada por Paes do Amaral como "uma conversa normalmente desagrádável de ter com os amigos".
Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que a conversa não contou com a presença do director-geral de Informação.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da TVI começou por explicar "como vê a televisão e como ela é diferente da imprensa como espaço de liberdade de opinião", argumentando que "a televisão depende do Estado para viver e isso tem consequências no espaço de opinião".
O presidente da TVI terá então considerado "inaceitável que houvesse uma opinião sistematicamente anti-governamental; num jornal era aceitável, mas numa televisão não".
Depois de explicar a sua concepção de serviço televisivo, e em jeito de conclusão, o presidente da TVI terá considerado "inevitável haver uma remodelação interna".
Foi então que, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, Miguel Paes do Amaral "avançou três ideias, todas novas", que suscitaram a sua perplexidade: repensar as orientações das suas intervenções; o estabelecimento de um prazo, "de duas semanas, ou um pouco mais, até ao fim do mês", para o cumprimento desse exercício; e a justificação dessa necessidade com o facto de a RTL ter acabado de tomar posição no capital social da TVI "e de ele ter que levar a cabo determinadas iniciativas e diligências para cujo êxito precisava de contar com essa garantia da minha parte".
Com a devida vénia ao Público
Publicado por Jorge Ferreira em outubro 27, 2004 04:34 PME será que se pode acreditar em tudo o que diz o MRS ?
Afixado por: Mentat em outubro 28, 2004 04:38 PMJulgo que o patrão da TVI fica péssimamente mal visto não abonando em nada as falsas declarações a seu favor, embora pessoalmente quando ele as
prestou à saída da audição tivesse afirmado junto de quem no momento me fazia companhia que
as mesmas não correspondiam à verdade e isso deslindava-se quando Marcelo se dispusesse prestar declarações.
A maioria comporta-se de uma forma tão autoritária que merece um cartão vermelho.
Afixado por: PGH em outubro 27, 2004 08:28 PM