O visado pelo artigo de Manuel Monteiro, certamente incomodado pelo facto do caso Marcelo rebelo de Sousa ter permitido que se soubesse de outros casos de governamentalização e de partidarização da comunicação social, neste caso da pública, e apostado que parece estar em continuar a tentar meter o Rossio na Rua da Betesga, como diz o povo, respondeu. Para que não venha um dia um ministro chatear-nos com o contraditório e até porque quanto mais fala mais se enterra, e sempre com a devida vénia ao Diário Económico e ao próprio, reproduz-se a resposta também hoje publicada naquele orgão de comunicação social.
Coincidências
António Luís Marinho
O assunto não me mereceria sequer comentário, se a “acusação” de Manuel Monteiro não tivesse oportunamente coincidido com o “caso Marcelo”, com as consequências conhecidas.
Por isso, respondi, na altura, à declaração do Presidente do Partido da Nova Democracia, onde se afirmava “silenciado” pela Antena 1, por determinação do PSD.
Manuel Monteiro foi, de facto, convidado para um debate na Rádio, pela Editora de Política Nacional, sem conhecimento prévio da Direcção de Informação. Não seria complicado se, na verdade, a forma em que o debate se processaria não estivesse ainda definida, uma vez que nenhum outro partido tinha sido ainda contactado.
O que se verificou foi que, a coligação PSD/CDS se dispôs apenas a participar em debates com os partidos com representação parlamentar.
Deste modo, Manuel Monteiro foi informado pela Editora de Política Nacional que tinha sido decidido fazer um debate apenas com aqueles partidos.
Em nenhuma altura qualquer partido se recusou a participar no debate, por causa de Manuel Monteiro. Repito que ele não é assim tão importante. Todos sabemos das dificuldades para encontrar consensos nestas matérias, e o que se verificou foi que a generalidade dos órgãos de comunicação social seguiu o mesmo critério. Só falta a Manuel Monteiro dizer que todos foram pressionados pelo PSD/CDS.
Quanto à última afirmação de Manuel Monteiro, de que não tenho “ nem liberdade, nem independência”, nem sequer me ofende, vinda de quem vem.
Só espero que Manuel Monteiro siga na sua profissão o mesmo trajecto que tenho sempre seguido na minha.
E que possa andar sempre de cabeça levantada, como eu.