
A luta pela liberdade é tão antiga como o Homem. E costuma dizer-se apropriadamente que nunca está ganha, que é combate a travar permanentemente, todos os dias. Vezes é até preciso travá-la contra quem menos se espera, isto é, contra indefectíveis amantes da liberdade e com provas dadas.
Os dias que correm são um exemplo da necessidade de nunca baixar os braços nesta luta. O que se passou no Parlamento Europeu com o italiano Rocco Buttiglione, o que se tem passado por cá na TVI e noutros sítios é sem dúvida um inesperado sinal novo de que não saímos definitivamente de tempos velhos, que julgávamos mortos e enterrados.
Por cá, o depoimento de Marcelo Rebelo de Sousa na ressuscitada Alta Autoridade para a Comunicação Social veio revelar que, pelo menos na televisão, o poder exerce-se sem pudor, em prejuízo da liberdade de expressão.
Depois de ouvirmos o comentador que produzia comentários desequilibrados para os negócios da casa, ficámos a perceber a razão pela qual a maioria não permitiu que tais explicações fossem dadas no Parlamento e ocorrem-nos as seguintes perguntas: o que vai fazer agora o Presidente da República, a quem é de presumir terem sido dadas as mesmas explicações na audiência logo após a saída de Marcelo rebelo de Sousa? O que vai fazer a maioria? Vai chamar o comentador à Comissão onde proibiu antes o contraditório? O que vai fazer a Direcção de Informação da TVI, que se sabe agora não ter a confiança do proprietário da estação? E o que vai fazer o outro comentador, Miguel Sousa Tavares? Também fica?
Já agora, uma insistência: já houve casos idênticos a este aos quais, por não envolverem vítimas tão conhecidas, ninguém quis dar por isso. E qua, ao contrário do que sugere Miguel Pais do Amaral, sucederam em jornais e não em televisões.
Entretanto no Parlamento Europeu, foi aberta uma crise por não existir liberdade de expressão. A Europa, que costuma auto-promover-se à custa de um património histórico-civilizacional em que a liberdade é o alicerce de todo o edifício social, político e institucional, quer agora proibir as pessoas de terem certas opiniões. Por exemplo, sobre a homossexualidade, ninguém pode criticar, mesmo que não tencione impor aos outros aquilo que pensa. O que é curioso é que são os ditos liberais que estão a cercear a liberdade, decretando até onde vai a liberdade dos outros, que não a deles. Sobretudo a liberdade ameaçadora de quem ousa não pensar como eles.
Publicado por Jorge Ferreira em outubro 28, 2004 07:57 PM