junho 13, 2005

A LIBERDADE

(fotografia tirada do Estudos Sobre o Comunismo)

É um bem precioso a liberdade. A liberdade de gostar e de não gostar. A liberdade de poder dizer e de poder não dizer. As palavras "nas conchas puras", como poetizou Eugénio de Andrade.

O Tempo não é só um grande escultor. É também um sábio que ilumina sempre a vida ao seu jeito. Morreu Vasco Gonçalves, um General que quis implantar uma ditadura em Portugal em 1975 e que fez muito mal a Portugal. Morreu Álvaro Cunhal, o líder dos comunistas (ainda hoje o é e não sei por quanto mais tempo-será o último líder dos comunistas?).

Se ambos tivessem vencido na política eu não estaria agora aqui. A minha suprema vitória sobre eles é poder dizer hoje que, cada um ao seu jeito, ambos se converteram em história. Do país e da minha. Não quero ouvir os obituários oportunistas, institucionais, de conveniência e acéfalos da mediocridade nacional. Quero apenas sublinhar que são dois exemplos de vida radical, de vida extrema, de combate violento, fora de moda. Talvez por isso sejam tão valorizados pela moda.

Álvaro Cunhal tem do seu lado a enorme vantagem da coerência, que é simultaneamente o grande significado da sua derrota política. Entaladas entre a comemoração dos vinte anos de adesão da Portugal à CEE, a comemoração do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas (antigo dia da Raça...) e o desfile das marchas populares pela Avenida a que chamaram da Liberdade, as mortes destes dois homens parece que se combinaram para um último desfile na memória colectiva. Um será para sempre o militar que foi emprestado á política para servir a estratégia do outro, que a bondade histórica preferirá para sempre ver como escritor, esteta e pintor.

Já agora: que comendas vai Jorge Sampaio escolher para lhes serem atribuídas a título póstumo? Espero que não a Ordem da Liberdade...

Publicado por Jorge Ferreira em junho 13, 2005 12:06 PM
Comentários

Muito bem.

Afixado por: Antonio Torres em junho 13, 2005 04:03 PM
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