Sim, eu sei, só o nome assusta. Alguém no Ministério da Educação teve a peregrina ideia de alterar o ensino das funções da linguagem, esquecendo que antes de alguém poder manipular a linguagem precisa de saber falar, escrever e entender a língua com que se expressa.
Um monstrinho chamado Terminologia Linguística para os Ensino Básico e Secundário concebido nas catacumbas burocráticas daquele ameaçador Ministério, ameaça a sanidade mental de alunos, professores e famílias. Quem lida com jovens estudantes do ensino superior e com a sua deficientíssima preparação para lidar com a língua portuguesa só pode temer o pior desta TLEBS.
Parece que existe alguém que quer mesmo impedir que nos entendamos uns com os outros, baralhando a nossa comunicação.
Porque convém ter memória, é oportuno recordar que esta coisa nasceu na Portaria 1488/2004, da ministra Maria do Carmo Seabra (lembram-se?, pois não), desse maravilhoso e inesquecível último Governo PSD/CDS. É, pois justo, desde logo, não levar este monstrinho ao passivo da actual ministra da Educação.
Esta é mais uma herança do pesadelo em que esse Governo de má memória transformou a vida do país.
O que faz o TLEBS? Basicamente muda os nomes às coisas, essa vertigem ancestral dos reformadores públicos portugueses para dar a sensação de que algo mexe e para justificarem umas senhas de presenças e umas ajudas de custo. Passaremos a ter catáforas, designadores rígidos ou anafóricos, complementos preposicionais e outras benfeitorias tecno-linguísticas. Alguém se uniu para nos tramar, como diz o cantor.
Depois de ter sido testada por 90 professores de 17 escolas do país no ano lectivo 2005/2006, o monstrinho está a ser aplicado de uma forma generalizada nos 3º, 5º e 7º ano de escolaridade no ano lectivo em curso, apesar de muitas escolas, dotadas de muito mais bom senso do que o Ministério, não o estarem a aplicar, por graça divina. A ideia inicial era generalizar a coisa até 2008/2009.
Esta teria sido uma boa causa para suscitar a mobilização dos sindicatos de professores, para se fazerem manifestações à porta do Ministério e para os estudantes se desfilarem em protesto contra o absurdo. Como sabemos, os problemas verdadeiros do ensino não motivam muito os sindicatos, que apenas se interessam por política de carreiras e dinheiro.
Assim, teve de ser a sociedade a reagir e a exigir o congelamento do monstrinho. É a minha humilde voz que hoje junto ao clamor geral no sentido de utilizar uma gaveta qualquer do Ministério para guardar esta preciosidade.
(publicado na edição de hoje do Diário de Aveiro)
Publicado por Jorge Ferreira em novembro 24, 2006 12:02 AMAfinal, qual é para assinar?
http://tlebs.professores.googlepages.com/home
http://fgc.math.ist.utl.pt/tlebs.pdf
Este é o endereço onde podem encontrar - e subscrever, se assim o entenderem - o abaixo-assinado que pede a supensão da TLEBS; aí encontrarão também a lista dos proponentes.
http://fgc.math.ist.utl.pt/tlebs.pdf
Este é o endereço onde podem encontrar - e subscrever, se assim o entenderem - o abaixo-assinado que pede a supensão da TLEBS; aí encontrarão também a lista dos proponentes.
http://fgc.math.ist.utl.pt/tlebs.pdf
Este é o endereço onde podem encontrar - e subscrever, se assim o entenderem - o abaixo-assinado que pede a supensão da TLEBS; aí encontrarão também a lista dos proponentes.
Como professor de português, só posso dizer que o que escreve sobre a TLEBS está errado. A TLEBS não é o que diz, nem o que andam a dizer que é. Saiu um excelente artigo de esclarecimento sobre isso na Visão da semana passada.
Monstruoso é o que tem sido feito com o ensino do português nos últimos anos em que sistematicamente não se cumpriram os programas.
Excelente! Como professora de Português, revejo-me inteiramente nas suas palavras. Não é preciso dizer mais nada! A não ser, confirmar a monstruosidade em forma de exercício, no site do M.E. sobre a Tlebs, no endereço:
http/www.dgidc.minedu.pt/TLEBS/CDMateriaisDidacticos/ trabalhos/90_Lusiadas _3C.ppt
Abraços
Afixado por: maria em novembro 25, 2006 04:53 PM